Vegano da noite para o dia

07:36

A história de um jovem que aderiu ao veganismo de forma rápida e sem estresse

Alegre, disposto e orgulhoso do estilo de vida. Assim Rafael Mendes, 20 anos, conta onde encontrou o veganismo, movimento que mudou por completo toda sua experiência alimentar, social e ética. Estudante de nutrição, o jovem gosta de estudar e aprender coisas novas sempre.



Com vontade de compartilhar o veganismo, Rafael me recebeu em sua casa, bem disposto a tratar o assunto de forma simples e descomplicada. Mesmo tão novo, ele sempre gostou de obter conhecimento nas áreas de interesse, portanto assistir documentários nunca foi uma tarefa difícil na vida do futuro nutricionista. E foi dessa forma que acabou entrando em contato profundo com o mundo vegano.

Rafael sempre teve amigos vegetarianos, então se sentia familiarizado com essa prática, porém somente aos 19 anos sentiu a vontade de mudar de vida. Ele estava em mais um dia comum assistindo documentários, quando decidiu ver “Forks Over Knives” (Troque a Faca pelo Garfo), simplesmente com o objetivo de agregar conhecimento em seus estudos sobre nutricionismo. O documentário aborda as doenças causadas pelo consumo excessivo de carne, leite e ovos.

Susto e nojo. Os dois sentimentos que Rafael sentiu após terminar o documentário. Logo no dia seguinte já não conseguia mais comer frango, algo que fazia parte do seu dia a dia. Ovos e laticínios também deixaram de ser alimentos para o jovem no segundo dia. “Fiquei espantado e com nojo, larguei tudo de uma vez só”, afirmou. O estudante contou que no início o principal motivo para se tornar vegano foi a própria saúde, mas depois que entendeu mais sobre o movimento, a compaixão pelos animais passou a ser seu foco principal.

Soraya Lôbo, 43 anos, mãe do Rafael, contou um pouco sobre o que achou da mudança “radical” na vida do filho: “A única coisa que falei para ele é que se fosse pra fazer, era pra fazer uma coisa bem feita, se preocupar principalmente com a saúde. Como ele é da área, acabou sendo mais tranquilo, mas eu apoiei 100% desde o início”. Soraya reduziu o consumo de carne no dia a dia por questões de saúde. A publicitária alegou que a redução da carne melhorou muito seus problemas de intestino e que sentiu melhoras também na pele. “Reduzi a carne mais por questão de saúde e de funcionamento do meu corpo. A carne me deixa pesada, mas não deixei de comer, hoje eu só não como mais durante a semana.”, contou.

Para o estudante de nutrição, a faculdade ainda peca muito na transmissão de conhecimentos sobre essa forma de alimentação. Rafael relatou que hoje, por ser vegano, acaba fazendo mais questionamentos aos professores e só assim eles percebem o interesse no assunto. Hoje os professores da área já promovem mais atividades, trabalhos e palestras sobre veganismo.

O nutricionista Adilson Ferreira, 37 anos, já teve Rafael como paciente e afirma: “O profissional tem que aprender a respeitar o estilo de vida de cada um e tentar adequar na dieta a alimentação mais saudável possível para essas escolhas que o paciente tem”. Ao ser questionado sobre a indicação de dietas veganas, o nutricionista alegou não prescrever dietas sem alimentos de origem animal a não ser que o paciente peça. Além disso, ressaltou que os extremos são prejudiciais à saúde e que tanto veganos quanto carnívoros podem ser saudáveis ou ter prejuízos se não tiverem alimentação adequada e acompanhamento nutricional que respeite seu estilo de vida.

Já a nutricionista Nathalia Patrão, 22 anos, explicou alguns malefícios que o consumo de carne pode trazer. Inflamações, doenças cardiovasculares, doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, além da existência de incidências de câncer relacionadas ao trato gástrico estão na lista de malefícios. No caso do Rafael, a mudança alimentar foi mais fácil pelo conhecimento de nutrição, mas para muitos se tornar vegano implica em vários problemas. “A maior dificuldade dos pacientes é encontrar maneiras de inserir micro e macronutrientes que estão presentes na proteína animal e às vezes não estão presentes, tão ricamente, nos alimentos de origem vegetal.”, afirma a nutricionista.

Rafael Mendes. Foto/Reprodução: @annaugs

Saindo do quesito saúde e focando no social, Rafael contou que no início as pessoas costumavam criticá-lo, mas agora já entendem sua visão. Com tranquilidade, ele disse que somente explica o ponto de vista dele para a pessoa e que está tudo bem se ela entender ou não. O jovem disse também que nunca deixou de sair para lugares simplesmente por não ter opções veganas. “Eu fico tranquilo, qualquer coisa me alimento antes, sabe? Acho que não participar do social pela sua opção é ser muito radical”, afirmou. Sorridente, ele conta que as pessoas até começam a se preocupar depois de um tempo e procuram lugares que tenham comidas para todos.

Muitas pessoas veganas acabaram sendo consideradas “chatas” pela forma como divulgam sua ideologia. O futuro nutricionista contou que costuma postar coisas relacionadas ao veganismo em seu Instagram às vezes, porém não é para tentar mudar a mente dos outros, já que cada um tem sua moral. O objetivo dele é mostrar que existe outro mundo, já que muitas pessoas não se tornam veganas simplesmente por achar algo muito distante e anormal. Ele tenta trazer o veganismo mais para perto e mostrar que não é um bicho de sete cabeças.

Ao final da entrevista, Rafael deixou um simples recado para os carnívoros que estão lendo esse perfil. O jovem sugeriu a Segunda Sem Carne, movimento mundial que promove ficar sem a ingestão de animais por um dia da semana. Caso uma pessoa substitua o consumo da carne por fontes vegetais por apenas um dia da semana , consegue-se atingir o mesmo impacto positivo, no meio ambiental, que comprar toda a comida da semana de fornecedores locais. Em 2013, o Distrito Federal aderiu à campanha por meio do Diário Oficial.


O futuro está caminhando para o veganismo. É o que pensa Rafael, além de dizer que as pessoas já estão sentindo compaixão pelos animais e só não conseguem ligar a alimentação a isso ainda. “Se nós conseguirmos levar a sociedade ao veganismo, vamos conseguir alimentar mais gente com todos os alimentos que usamos para alimentar o gado. Diminuiria a fome no mundo”, alega.


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