Na cultura brasiliense: O rap resiste

dezembro 14, 2018

A batalha do museu é uma das mais conhecidas em Brasilia pela tradição, organização e segurança. Desde 2012, vários rappers se reúnem no Museu Nacional para expressar seus sentimentos e ideais. "Todo domingo estamos presentes para fazer a montagem do som e acompanhar o andamento da batalha", conta Catarina Maltezo, produtora cultural.



Como funciona?

    As seletivas do campeonato nacional funcionam assim: os inscritos são sorteados de dois em dois pelo público e batalham. Quem ganha, passa para a próxima fase no final de cada batalha, o público vota e os jurados da seletiva dão o veredito.

    Em cada batalha, um rapper começa atacando e o outro defende. No segundo round, quem atacou no primeiro, agora defende e vice-versa. O terceiro round só ocorre se o público e os jurados quiserem.


Foto: Caroline César - Batalha do Museu


Ideologia

    Jhonatan, mais conhecido como Mc Jhon, afirma que as batalhas de Brasília proporcionam um lazer a baixo custo e de brinde ainda acontece a propagação de ideias, estimulando o estudo, já que o mc deve saber o que falar. Além disso, o mc ressalta o aumento da autoconfiança e a habilidade de articular que os rappers adquirem. 

    "O rap na minha vida é um instrumento que dá voz, vez e protagonismo. Permite tratar diversos assuntos sob uma ótica própria e debater com ideias distintas", conta.

Foto: Caroline César - Mc Jhon na Batalha do Museu


    Em Brasília, os índices de violência e mortalidade de jovens são altos. Muitos encontram uma saída no rap, assim como Mc Faryd.

    "O rap me livrou do lado obscuro das ruas, me livrou do crime e me botou na arte", conta.

    Faryd ressalta também que as batalhas são um verdadeiro incentivo à cultura, literatura e o livre poder de descarregar emoções através das palavras.


Foto: Caroline César - Mc Faryd na Batalha do Museu


    Para Catarina Maltezo, produtora cultural da Batalha do Museu, o hip-hop, em sumo, tem cunho político também. "A gente faz uso de ensinamentos que estão contidos em letras e atitudes de todos os envolvidos", explica.
    A produtora ressalta que a BDM (Batalha do Museu) constrói o futuro, ao considerar que todos ali são formadores de opinião. "Temos função didática e construtiva", afirma.

 
Foto: Caroline César - Batalha do Museu

     Mc Jhon explica que para o rap crescer mais no DF, é necessário que os mc's se unam ainda mais. "Precisamos nos conectar com os meios de comunicação, expor mais e para mais pessoas o que vem sendo feito", ressalta. Além disso, o mc conta que é comum existir batalhas em todos os lugares e os próprios residentes desconhecerem isso. 
      Se você nunca foi a uma batalha de rap, sinta-se convidado. É uma experiência incrível com uma energia muito boa. Faz bem conhecer novos costumes, ainda mais esse que não só é um entretenimento, como é também o ponto de saída para tanta violência e caos no mundo atual.


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1 comentários

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